O filme é inspirado na obra de L. Frank Baum e apresenta referências bem veladas ao clássico “O mágico de Oz” (1939). Nele se conta como o mágico de parque de diversões Oscar Diggs (James Franco) chega na terra encantada de Oz em um balão após fugir de uma briga. Lá ele conhece Theodora (Mila Kunis), que explica a profecia de que um mágico salvaria a terra de Oz da maldade da bruxa má, Glinda (Michelle Williams), e se tornaria rei. Oz, o mágico, só se preocupa consigo mesmo e com a possibilidade de obter as riquezas do reino, e parte para a missão tendo como companheiros o macaco alado Finley (com voz de Zach Braff) e a Boneca de Porcelana (com voz de Joey King).
Muito provavelmente, foi a pressão da Disney para criar um produto “família” que minou grande parte da criatividade da direção de Sam Raimi em “Oz – Mágico e Poderoso”. Apesar do roteiro simpático, o filme se arrasta em vários momentos, e a edição “quadrada”, nada típica de Raimi, torna esses momentos ainda mais enfadonhos, especialmente no primeiro terço do filme. Além disso, o 3D é utilizado de maneira totalmente não criativa, uma vez que vários elementos do mundo mágico simplesmente saltam da tela para a cara do espectador sem isso ter nenhum significado para a atmosfera ou andamento da trama.
Mesmo com esses solavancos, “Oz – Mágico e Poderoso” ainda consegue se reerguer na sua terceira metade. Com um andamento muito mais ágil, a manjada batalha entre bem e mal consegue ser menos clichê graças à engenhosidade com que Oz arquiteta a derrota das bruxas más sem machucar ninguém. De quebra, há um momento a la “A Invenção de Hugo Cabret” (2011), o que torna o filme simpático, apesar de suas falhas.
Com tais características, o Oz de Sam Raimi (ou seria o Oz da Disney?) consegue ser um filme infantil digerível para crianças e adultos. Estes últimos ainda têm o bônus de caçar referências veladas ao filme “O Mágico de Oz” (que não poderia ser diretamente citado por conta de questões de direitos autorais sobre o filme, que é da Warner). Porém, no geral, “Oz – Mágico e Poderoso” ficou muito longe de marcar uma geração de jovens espectadores do cinema como seu “parente” de 1939.
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